Portfólio


2015 será de incertezas para a economia 1

Segundo o estudo Balanço e Perspectivas da Economia 2015, conduzido pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), o Produto Interno Bruto (PIB) deve aumentar 0,6% em nível nacional e 1,6% no estado. Uma pesquisa do Sindicato das Indústrias Gráficas do Mato Grosso do Sul (Sindigraf-MS) apontou uma previsão de crescimento de apenas 2% para o setor em 2015, na comparação com 2014. Ou seja, os próximos meses serão de muita luta e desgaste.

O contexto econômico desfavorável foi motivado, entre vários fatores, pela queda do consumo, ampliação das taxas de juros e impostos, preços abusivos dos cartões, substituição dos meios impressos pelos digitais, elevada concorrência com as importações de materiais gráficos e falta de atendimento especializado nos estabelecimentos. As incontáveis exigências – tributárias, ambientais, trabalhistas – e burocracias dos órgãos federativos também são um empecilho. Desta maneira, a retração das vendas do segmento é a única certeza para o ano que começa.

Ausência de estímulo e competitividade

De acordo com o Departamento de Estudos Econômicos da Abigraf Nacional, a região sul dispõe de 4.732 gráficas, configurando 22,9% do total do país. Em 2013, a participação no PIB foi de 23,79%, com a soma de R$ 10,8 bilhões. Logo, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná representam uma parte expressiva da indústria gráfica brasileira.

No Brasil, existem 20.630 estabelecimentos do gênero. Ainda assim, a solicitação de serviços gráficos em países do exterior tem se mostrado um principais problemas para os empresários. Conforme dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a balança comercial de produtos gráficos registrou um déficit de US$ 204,21 milhões no ano de 2014, ou seja, foram US$ 493,82 milhões em importações e US$ 289,61 milhões em exportações. Apesar do resultado negativo, houve uma melhora de 24% em relação a 2013. Contudo, o rendimento permanece insuficiente para beneficiar o setor.

“O reajuste nas tarifas de energia elétrica e gasolina impacta diretamente nos gastos de produção das empresas. O maior desafio para a indústria em 2015 é conseguir render mais dispondo dos mesmos recursos. Assim, seria possível arcar com os novos preços sem perder dinheiro no processo, tornando-se competitivas tanto local quanto internacionalmente”, explica a pesquisadora da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Vanessa Sulzbach. Segundo a Pesquisa Industrial Anual (PIA), conduzida pelo IBGE em 2012, os custos de produção representam 6,5% do total desembolsado pela indústria de transformação do Brasil. O consumo de combustíveis usados para acionar maquinarias corresponde a 16,8% da soma destas despesas, enquanto a compra de energia elétrica equivale a 21,5%.

“Ao que tudo indica, teremos um ano recessivo e de medidas duras pela frente, o que leva ao aumento dos valores dos produtos. Com a desaceleração do mercado interno, a substituição do material impresso pelo digital mostra-se como uma ameaça a ser enfrentada. Para combate-la, os gestores precisarão repensar a forma de atuação de seus negócios.”, acredita Hamilton Terni Costa, diretor geral da ANconsulting e ex-presidente da ABTG.

Luz no Fim do Túnel

Apesar da situação econômica complicada, nem tudo está perdido. Diversas empresas têm recorrido a soluções alternativas para conseguirem crescer – ou, ao menos, não diminuir – em 2015. Uma destas possíveis atitudes a serem tomadas é a redução dos custos operacionais. O cenário competitivo exige enxugamentos nos quadros de colaboradores e cortes de gastos supérfluos, além do aumento da produtividade. Considerando a instabilidade da atual conjuntura, os empresários deverão evitar grandes investimentos.

A oferta ficou maior em relação à procura, logo, o momento é decisivo para o setor. Gráficas que não aprimorarem os seus serviços e qualificarem a sua mão de obra provavelmente serão deixadas para trás. Assim, o aperfeiçoamento de conhecimentos torna-se não apenas necessário, mas indispensável. Hamilton defende que “os administradores precisam para de pensar somente em como manter suas gráficas. Em vez disso, devem focar em gerenciar um negócio com serviços e soluções de qualidade. Neste sentido, a inserção gradual no mundo digital e reforços no portfólio da marca são indispensáveis”.

Especialmente nesta época do ano, a comercialização de materiais escolares e artigos para escritório podem auxiliar a impulsionar as vendas, uma vez que são de necessidade quase geral, abarcando uma grande parcela da população. Disponibilizar produtos com descontos em eventuais promoções também é vantajoso, porque promove a loja e abre espaço para a fidelização de novos clientes. “O empresário tem que entender que o cliente exige um conjunto de elementos que vai muito além da mera impressão.”, esclarece Hamilton. De maneira geral, pequenas alterações como esta são o suficiente para mudar a realidade de sua gráfica. Confira, a seguir, outras dicas para ampliar a empresa sem sujeitar-se a altos custos:

1. Explorar abordagens comerciais inovadoras e diferenciadas é sempre sinônimo de sucesso;

2. Seja original e corra atrás de seu público alvo;

3. Aposte nas mídias sociais, muito populares atualmente, para aproximar-se dos antigos clientes e prospectar novos;

4. A realização de oficinas e cursos com seus funcionários pode originar bons resultados. É importante que eles entendam o meio gráfico;

5. Seja rigoroso nos prazos combinados com o comprador, disponibilize artigos de qualidade e ofereça uma assistência prestativa;

6. Faça de tudo para conquistar a confiança do freguês. Afinal, quando a empresa como um todo se destaca entre as demais, é possível cobrar mais pelo produto comercializado;

7. Criar um logo e website ajuda a definir a identidade visual de seu negócio;

8. Hoje em dia, a maioria das pessoas prefere fazer tudo pela internet. Permita que seus clientes realizem pedidos e enviem arquivos online;

9. Monte um portfólio diversificado, que consiga surpreender e agradar o cliente;

10. Inteire-se do que está acontecendo no mundo gráfico; permita-se descobrir novos processos e outras opções de matérias primas.


Informativo Sindigraf-RS (2015)


Pinacoteca Ruben Berta lança catálogo geral

A Algo Mais Gráfica e Editora, que completa 10 anos em 2014, tem um histórico de interesse por projetos de cunho social e educativo. Junto à Coordenação de Artes Plásticas da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, a empresa lançou, no dia 4 de dezembro, o catálogo geral da Pinacoteca Ruben Berta, um livro contendo o acervo completo da galeria.

“Não gastamos com publicidade. Em vez disso, gostamos de escolher projetos complicados que, além de gerar crescimento ao ampliar nosso conjunto de habilidades, possam ajudar pessoas ou instituições que precisem de um auxílio”, explica Cristiano Tiarajú, diretor da gráfica. A reprodução de obras de arte é sempre um desafio para o setor, visto que a manutenção das tonalidades escolhidas pelos pintores, por exemplo, é essencial.

Todos os custos de produção foram arcados pela Algo Mais Gráfica e Editora e seus parceiros. O catálogo é bilíngue (português e inglês), de capa dura e mede 30x30cm, sendo composta por uma série de imagens e textos que descrevem as origens do acervo e posicionam a coleção como uma das mais importantes do país. O prefácio foi escrito pelo prefeito José Fortunati. A proposta gráfica é da artista Marília Vianna, da Portfolio Design, e, a diagramação, de Tatiane Schwartzhaupt, da Scan Editoração. “Quando conhecemos o espaço, ficamos comovidos com a quantidade de quadros excepcionais que não estavam recebendo a atenção merecida, devido à falta de recursos para a divulgação. Assim, acabou surgindo a ideia de desenvolvermos esta iniciativa.”, conta Tiarajú.


Informativo Sindigraf-RS (2014)


Um panorama da Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil

O direito a alimentos saudáveis e de qualidade deveria ser universal. No entanto, a pesquisa O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional 2014 – Um retrato multidimensional, divulgada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), revelou que aproximadamente 805 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo inteiro. O número, embora alarmante, é uma evolução se considerarmos os resultados de anos anteriores: 870 e 842 milhões, respectivamente, em 2012 e 2013.

“A promoção do bem-estar geral precisa ser uma meta para o Estado e sociedade. Se, conjuntamente, ambos priorizassem a soberania nutricional, teríamos menos casos de obesidade, desnutrição e outras doenças associadas à má alimentação”, acredita o gerente de Educação e Ação Social do Sesc-RS, Alexandre Bem Rodrigues. Em 2014, segundo o estudo, medidas governamentais voltadas à ampliação do acesso à comida cooperaram para finalmente retirar o Brasil do Mapa da Fome. A taxa de subalimentação da nação ficou em 1,7% – no ano de 2003, o mesmo índice apontava preocupantes 10,7%.

Entre estas providências, destacam-se programas tais quais o Fome Zero e o Brasil Sem Miséria, bem como ações visando o fomento da produção agrícola. A reabertura, em 2003, do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) – atuando nacional e regionalmente – também auxiliou o cumprimento da primeira meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, reduzindo em 50% o número de famintos. “A Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) vem sendo frequentemente debatida. A recriação do Consea e o investimento em políticas públicas relacionadas ao tema são demasiadamente importantes para garantir o direito à alimentação de todos os cidadãos”, acredita o atual presidente do órgão no Rio Grande do Sul, o professor Edni Oscar Schroeder.

Com a promulgação da Lei Orgânica da SAN, em 2006, o assunto ganhou um forte impulso no Brasil. A intenção da norma é articular o poder público e a sociedade civil, de maneira a implementar iniciativas que estabeleçam uma alimentação adequada ao conjunto da população – em 2010, isto foi incorporado à Constituição Federal como um direito humano. Já no ano de 2011, inaugurou-se um plano exclusivo à causa, formado por mais de 40 programas e ações.
Recentemente, foi lançada a nova edição da cartilha Alimentos Regionais Brasileiros, uma publicação do Ministério da Saúde por meio da Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN). A principal meta do texto é despertar o interesse do público para a multiplicidade de sabores e opções saudáveis em se tratando de refeições tradicionais do país. No livro, são apresentados 500 páginas de curiosidades, receitas e informações nutricionais sobre frutas, hortaliças, raízes, cereais, leguminosas, ervas, condimentos, farinhas, tubérculos e temperos típicos das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Em 2015, ocorrerão diversos fóruns ligados à SAN. Órgãos do governo e sociedade já estão sendo convocados para os encontros municipais, que acontecem de abril a junho. As convenções estaduais se darão no mês de agosto. Tudo isso culmina na 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CNSAN), cujo tema é “Comida de verdade no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar”, de 3 a 6 de novembro. “Discutiremos o que realmente é comida, mostrando o abismo existente entre aquilo que nos nutre e o que meramente nos satisfaz”, explica Schroeder. Serão trabalhados, ainda, outros dois eixos: “Estratégias em andamento para a conquista da comida de verdade no âmbito local, estadual, regional, nacional e internacional” e “Aperfeiçoamento e ampliação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional: pacto federativo, participação social e intersetorialidade.”

O Papel do Mesa Brasil
O Mesa Brasil, junto a diversas instituições públicas e privadas, tem colaborado vigorosamente para a erradicação do problema da fome por meio do repasse de mantimentos ao público carente e organizando oficinas como a de Reaproveitamento Integral dos Alimentos. Logo, a iniciativa é de suma importância ao fortalecimento de projetos relacionados à segurança alimentar e nutricional. “Redistribuindo produtos em condições adequadas ao consumo humano e educando a população quanto à preparação de refeições saudáveis e sustentáveis, o programa cumpre um papel decisivo em prol desta causa”, afirma Rodrigues.

Em 2014, foram 800 entidades sociais atendidas com 2.367.787,73kgs de alimentos distribuídos entre 67.675 pessoas. O resultado foi possível somente por meio do auxílio de 496 parceiros. Além disso, realizaram-se 850 ações educativas, capacitando 17.936 profissionais. “O Mesa Brasil tem sido um aliado importantíssimo ao Consea-RS, contribuindo na geração de novas políticas públicas capazes de atender as necessidades do povo. Afinal, é um programa organizado, composto por profissionais competentes, dedicados e reconhecidos, que desenvolvem projetos efetivos”, afirma Schroeder. Na entrevista abaixo, o presidente do Consea-RS destaca um considerável avanço nas políticas de SAN, sem esquecer que ainda há muito a ser feito.

1. Qual é o atual panorama do país em termos de SAN?
Há alguns anos, no Brasil, falava-se muito da questão assistencial da fome, mas não especificamente sobre garantir a Segurança Alimentar e Nutricional como um direito da pessoa humana – o que foi adicionado à Constituição Federal em 2010. Para o país, isso veio com bastante atraso, considerando que é uma questão fundamental à vida. A SAN nada tem a ver com apenas dar alimentos a quem precisa: vai muito além disso, exigindo um amplo trabalho em termos de políticas públicas e educação. Por exemplo, todos sabemos que o alimento ainda é tratado exclusivamente como mercadoria por quem o fabrica, enquanto deveria ser, antes de mais nada, um direito do cidadão. Vários destes produtos têm pouco ou nenhum valor nutricional e, em muitos casos, não dispõem de versões diversas o suficiente para atender a diferentes públicos (diabéticos, celíacos, intolerantes a lactose e outros). Ensinar a população a filtrar aquilo que faz bem ou não também faz parte da SAN e impede a propagação de doenças tais quais a obesidade e desnutrição.

2. Que ações o governo deveria tomar a fim de garantir o direito dos cidadãos a uma boa alimentação?
As cestas básicas distribuídas atualmente para a população em situação de extrema miséria conseguem apenas satisfazer a fome, mas não protegem esse grupo da insegurança alimentar, pobreza e exclusão social. Os métodos de produção e seu controle também precisam ser revistos, priorizando a sustentabilidade e agricultura orgânica. A instauração do Sistema Nacional de Segurança Alimentar no âmbito municipal, estadual e nacional é uma forma de envolver diversos setores do Estado e avançar no tema. Discutir amplamente com a população sujeita aos problemas é indispensável.

3. Em se tratando do tema, o Rio Grande do Sul está avançado ou atrasado se comparado aos demais Estados?
Não estamos particularmente avançados ou mesmo atrasados. Uma coisa é certa: temos uma agricultura familiar muito bem articulada e estruturada para a produção de alimentos de consumo direto da população. Por outro lado, somos um dos maiores Estados produtores de grãos do país, o que implica no uso constante e desenfreado de agrotóxicos. Assim, acabamos por disponibilizar alimentos problemáticos.


Informativo Mesa Brasil (2015)