Arcanista: uma realidade não tão distópica


"Arcanista", por Joe de Lima

Divulgação/Joe de Lima

“Arcanista”, de Joe de Lima, é um livro independente com a mesma qualidade de obras publicadas por editoras, excetuando erros de revisão – que eram escassos no início e foram aumentando ao longo do texto, como se a atenção do revisor estivesse diminuindo aos poucos. Conheça a sinopse:

“Marcel Seeder é um tímido rapaz de 16 anos que vive em Vera Cruz, uma nação dividida pelo jogo de poder entre o governo, o exército independente chamado Arcanum e a sombra do grupo ecoterrorista Voz Verde.
Marcel se preparou desde a infância para uma carreira militar como arcanista, seguindo os passos de seu pai. Entretanto, a visita oficial do Regente-Geral e de sua família à Arcanum irá deflagrar um terrível incidente. Para enfrentar a conspiração que busca assassinar Camilla Noble, a filha mais velha do Regente, Marcel precisará superar suas limitações e dominar a gema incrustada em sua mão.
Com uma narrativa cinematográfica, Arcanista é mais que uma história de superação e sobrevivência. É a história de pessoas que tentam encontrar seu lugar em uma sociedade com um complexo cenário político e um colossal abismo social que separa a elite e a classe menos favorecida.”

Nesta sinopse fornecida pelo autor, fala-se em uma “narrativa cinematográfica”: eu não poderia concordar mais. As cenas passavam em minha cabeça como se tudo fosse um filme. Como vocês sabem, eu trabalho com leitura crítica e revisão. Um problema frequente encontrado nas obras de autores mais visuais (tipo o Joe) é o de cenas enroladas, que incorrem naquele erro de contar em vez de mostrar e levam a parágrafos sem muita conexão entre si. Isso não acontece em “Arcanista”; Joe narra com equilíbrio. Paciente, ele guia o leitor em um mundo de imagens, e não apenas joga deliberadamente no papel uma série de acontecimentos sucessivos.

Consegui empatizar com Marcel desde a sua primeira aparição, quando ele se pergunta internamente se a violenta repressão conduzida pelos arcanistas (militares) contra o grupo Voz Verde fora justificável. Parece familiar? Infelizmente, si. A história criada por Joe não é só mais uma distopia fantasiosa; ela se pauta no mundo real. Autores nacionais sempre ganham pontinhos comigo se o livro é ambientado no Brasil. “Arcanista” se passa em Vera Cruz, um lugar similar a uma versão futurista/alternativa do nosso país.

Joe escreve bem e fica claro que, além de talento, dispõe de conhecimento técnico. Só senti falta de explicações mais detalhadas: em muitos momentos, a escrita direta do Joe fez a história correr um pouco mais depressa do que eu gostaria. Fiquei confusa em certas partes, mas nada que voltar algumas páginas não resolvesse.

Indico “Arcanista” para quem procura um juvenil distópico com um enredo denso (se comparado a outros títulos do gênero). Você pode adquirir o e-book na Amazon e o livro físico pelo Clube de Autores. Visite também o site de Joe (tem resenha de “O Velho Mundo” por lá!) e sua página no Facebook.

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