Prólogo de “O Velho Mundo” 2


Por meio do Clube de Autores de Fantasia, conheci um ótimo projeto: o Ouça Literatura, idealizado pelo Rafael Penaforte. A iniciativa objetiva levar livros de domínio público a deficientes visuais. Em outubro, o Rafael promoveu um concurso no qual os vencedores ganhariam a narração de um trecho de suas obras. Eu participei com o prólogo de “O Velho Mundo – Abrem-se os portões de Erebo”.

Para a minha felicidade, fiquei em primeiro lugar, junto com a Gaby Firmo! Em segundo lugar, tivemos  “Lobo de Rua”, de Janayna Bianchi (que já foi resenhado por mim aqui) e “Limbo”, de Thiago d’Evecque. Em terceiro, “Deus Le volts”, de Thiago Henrique, e “Vestígios Heroicos”, de Lucas Amaral.

“O Velho Mundo” será publicado neste verão pela Editora Giostri. Mas enquanto o dia não chega, escute a narração de R. Penafort ou leia o prólogo:

 

 

 

Um Sonho de outro Mundo

 

O lugar era lindo e, tamanha a sua grandeza, só poderia estar situado no infinito. Animais que pareciam ter sido retirados de livros de histórias para crianças brincavam felizes, enquanto pessoas de feitios estranhos cantarolavam alegres. No alto de um majestoso morro encontrava-se um belo castelo, feito de torrinhas e torreões. O céu – cortado de lado a lado por um arco-íris de luz e cor – era tal qual algodão. O ar, uma fumaça enevoada e colorida, ficava visível aos olhos de todos. Não seria possível existir, nos vários mundos, ambiente em mais perfeita harmonia do que aquele.

 

Inesperadamente, um lampejo amarelado e ofuscante cortou céu e chão, alterando o cenário por completo. O que antes era grama (tão verde quanto a mais perfeita das folhas em um dia de primavera) transformou-se em cinzas sobre as quais, agora, jaziam corpos desacordados. Os sóis foram extinguidos e tudo nublou: o dia passou a ser iluminado por finos feixes de luz prateada, provenientes de uma fonte desconhecida. Alguém havia roubado a vida daquele lugar, e não era provável que ela retornaria tão cedo.

 

Então o espaço enegreceu: para além da profunda e dolorosa escuridão, não se avistava mais nada. Escutava-se, porém, uma voz fraca, embora nítida, que demonstrava certo nervosismo e hesitação ao implorar por socorro.

 

“Venha até mim, venha nos salvar. O fim dos Mundos se aproxima e há forças cruéis que pretendem dominar as terras. Venha e salve o meu Mundo, venha e salve o seu Mundo. A passagem para o Reino do Inimigo foi aberta, rompendo a barreira que nos separava dos mortos. O macabro – Ele – está por vir. Você deve procurar a Grande Árvore, porque quando o sino do Reino dos Mortos anunciar a primeira madrugada do novo ano, algo muito maior e mais cruel do que o fim de nossas vidas começará. Tenha pressa, mas tenha cuidado”.

 

E, com isso, o mundo entrou novamente em foco aos olhos de nove crianças que, uma a uma, levantavam-se extasiadas, pondo-se a pensar no significado daquele horroroso sonho.


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2 pensamentos em “Prólogo de “O Velho Mundo”